Esvazia-se a poesia de um quê
De literatura, da boa leitura
Da vida além do possível
Da intervenção humana
não reflexo divino
Nas sensações e reações
É sempre assim quando se perde
Não há volta
Não há cura
Não Sara o Mago
Pelo menos o corpóreo
Mas o etéreo não some
Mistura-se sangue ao eco
Vida eterna em doces letras
Celebre-se este momento
Com a compreensível dor da perda
Com lágrimas contidas
Transformadas nestas palavras
Com todo respeito a sua memória
E com o orgulho de ter vivido
No tempo de Saramago
Desejando-lhe
Boa viagem
Ulisses Tavares Neves