domingo, 24 de agosto de 2008

Sublime é o silêncio



Sublime é o silêncio

Diante do vazio
O silêncio me torna culpado
Mas são os seus olhos
Pelas suas mãos
Que possível se faz
Ganhar um perdão
Prefiro ficar de pé
Fechar os olhos
Mas olhar pra frente
Mesmo que a fé não se mostre
Furtiva, que vá! Ainda que volte
Em cada momento vivido
Quando distraído
Volto a ter bondade
Volto a sorrir com sinceridade
Arriscando-me a dar conselhos
Como por inspiração
Por um canal sintonizado
Que se não diz tudo
Também não cabem meias verdades
Não cabem vaidades
Só o que é fruto, semente e pão
Bons ventos os tragam,
Amigos do peito!
Invadam o vazio
Imperceptíveis como o silêncio
Resgatem culpados e inocentes
Dando-nos a convicção
Que estar sozinho
Nem sempre é solidão.

Ulisses Tavares Neves

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Rio

Rio que me viu nascer
Já tens dono em verso e prosa
Incomparáveis e únicos
O que me sobra agora?
Sonhar com a paz
Das ruas e das madrugadas
De todas as horas
Dos fins de semana
Pra ver passar a musa
Vagarosamente
Como a bossa nova
Rio que balança com as ondas
E por isso nos faz gingar
Como ninguém
E chiar como brumas do mar
Explodir, incomum, ir , voltar...
Dia após dia
Aos olhos atentos
Braços abertos
Pronto pra nos abraçar
Olhando do alto
E lá do Céu, das estrelas
Rio que cariocas amamos
Como um ente querido
Onde quer que estejamos
Orgulhosos te olhamos
E podemos dizer sem medo
Rio que saudade de você!

Ulisses Tavares Neves

Dimensão humana

Por que Deus nos fez para sermos amados?
Para compreender que nada na vida
Vale mais do que isso
Porque o mundo nos consome?
Pois tudo aquilo que é sólido
Será corroído pelo ar
Porque o medo nos assola?
Para que tenhamos limites
Senão não saberíamos quando parar
Porque temos mesmo é que viver com dúvidas?
Pois se tivéssemos respostas iríamos querer tomar o Seu lugar
E para tudo que se possa imaginar
Existe a dor
Para esperar e refletir
Para aprender a não magoar
Por isso chore, tenha dúvidas e sinta dor
Mas não se esqueça de amar
Pois no final os ventos irão nos consumir
E o que restará de nós?
Seremos todos um, com o vento
Essa é a maior dimensão
Do que podemos chamar de futuro
Do que talvez se resuma
Chamar-se estar vivo.

Consciência

As vezes não me reconheço
Nem diante de mim mesmo
E essa dependência da felicidade
Uma compulsão pela alegria
Quem é que não vive assim?
Seria fácil viver assim
Ninguém vive para ser feliz
E sim feliz por estar vivo
Olhe para todos os lados
O que você vê?
Como não enlouquecer?
Estamos imersos nesses gases
Sem poder sair desse chão
Nessa atmosfera sonora
De imperfeições pulsantes
Intoxicados por valores ditados
Aceitos sem discussão
O tempo não passa
Ele sempre volta
A roda das frustrações históricas e existenciais
Que mesmo assim por seus meandros
Espalham alguma evolução
Ignorantes de nós mesmos
Nos desrespeitamos e agredimos a tudo
Seculares delinqüentes juvenis, diante da eternidade?
Um segundo pode parecer a solução
Mas é o tempo que leva para se arrepender
Eu só queria poder me livrar da loucura
Sem que para isso tivesse que prejudicar alguém
Por um segundo e por uma vida.