segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Estrada da Vida
O não olhar para trás
Medo ou desdém
saber o passado que se tem
Percebi que sempre será
engraçado e conveniente
Mas a lembrança se tem no tempo presente
Não é como o olhar para trás
Também não é a falta de coragem
Não se chama de covardia
é como uma experiência
como magia, um remédio
sem fórmulas milagrosas
ou como lições que não se tiram dos livros
Aparecem como sinais
de tempos em tempos
Rugas, cabelos brancos e calos nas mãos
sem remorsos ou julgamentos
sem dor e sem culpa
Canções, contos e obras de arte
Experiências e histórias contadas por alguém
Todos os dias
Os meus, os seus e os dela também
E mais uma vez convido todos a celebrar:
Viva a vida que se tem!
E como eu sempre digo
Uns gritarão Viva!
Em alto e bom tom
Já outros, simplesmente...
Viverão.
( Ulisses Tavares Neves )
sábado, 22 de dezembro de 2012
Cativeiro
Aprisionava o amor
Exibia com orgulho sua escolha
Sentia algo diferente batendo no peito
dizia sempre que estava apaixonado
O melhor lugar para guardar
Tanto carinho e tanto cuidado
Era dentro de seu mundo
Sentia todo dia o coração preenchido
E nada desse mundo o faria mudar
não temia estar enganado
Nem tinha pretensões de mudar o mundo
Acontece que em lugar algum
Apaixonar era sinônimo de aprisionar
nem no suposto dicionário de termos errados
Mesmo que existisse,
não nos daria a chance de termos errado
vieram os conflitos
Até pelo que jurava amar
A cada dia uma nova pergunta
por onde andaria o amor? Refletia
Será que fugiu da...prisão
Onde estaria a chave que abre o coração
que libertaria o amor contido no peito
não sabia, há tempos não a via
Será que havia?
E se encontrasse um novo amor?
Abririam-se as portas novamente?
Mudou de amor várias vezes
Escravizou e se deixou escravizar
De um amor intenso
E só seu...
Só seu...Seu...Eu
Ouvindo ecos, entendeu seu egoísmo
Descobriu que o amor
É comungado pelo mundo inteiro
da mesma forma
não importa o seu hospedeiro
Precisa sim de muito cuidado
Mas, anda livre pelas ruas
Jamais poderá ser criado em...
Cativeiro.
( Ulisses Tavares Neves )
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Pés na Estrada.
Por onde andar?
A via é vida
pés na estrada
em busca de um futuro bom
Vejo pés de jacarandá
paisagem que faz bem
crianças de pés descalços
Vendendo doces na porta da escola
Na placa estava escrito: "Vende-se" pés de moleque
ou seriam seus futuros? Contraste? Realidade!
Aos pés do altar da igreja que passa
Um homem se punha a rezar
uma mulher gritava: "Eu juro de pés juntos..."
A viagem não pode parar
Se estivesse a mil pés de altura
Não perceberia esses detalhes
meus pés não estariam no chão
Não se pode perder a cabeça
Lembrei-me do "Lava-Pés", humildade é a lição
Mas gente que se diz humilde é o que não falta
A meter os pés pelas mãos
Depois, com sentimento de culpa
caem aos pés, implorando perdão
moral da história
há muitos caminhos a serem seguidos
Mas é preciso passar com os próprios pés
Para descobrir a melhor direção.
( Ulisses Tavares Neves )
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Silêncio Ambiente
Cansado de estar cansado
acometido por males modernos
problemas de pressão
de pressão alta,
controle de pressão
depressão sem controle
precisamos saber viver sob pressão
Vejo rostos e olhares
Parece-me que os sonhos estão escassos
São rostos de Insônia
de sono interrompido
por carros que passam
festas na vizinhança
Respiração ofegante
pelo desrespeito flagrante
escuto os sons
som nas alturas
Som no leve
Sono leve
Sono, leve-me
levemente, afasto-me
Calmamente
a mente se acalma
Acalme-se a alma
Silêncio e procura
Silêncio é a cura
Silêncio ambiente
Hodiernamente
( Ulisses Tavares Neves )
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Em Algum Lugar
Por parecer loucura, vale a pena
A mente nem sempre é serena
desmente as razões e os porquês
Essa é a ciência simplória do querer
Gosto da noite serena
Porque me faz pensar
Gosto do sereno da noite
Posso sentir o seu cheiro no ar
Sinto-me bem ao olhar as estrelas
Mesmo que a noite não tenha luar
é durante a noite que se percebe
a enlouquecedora vastidão de mundos
abismos noturnos sem fundos
está tudo lá, em algum lugar
depois do nosso sol
no limite da nossa compreensão
a loucura que vale a pena
um mundo melhor
do que o meu, do que o seu
um mundo que pertence a alguém
e não sabemos como chegar
como eu disse no início
eu quero acreditar nesse mundo
não importa quem estiver lá
não devem ser seres como eu
nem como você também
Mas, se a ciência do querer é simplória
Quem sabe seja mais simples do que imagino
o futuro daqueles que eu quero bem
quem sabe já exista por aí
Na esquina de uma Via Láctea
Que eu possa ver em dias de primavera
Uma mancha no fundo do céu
Daquela noite sem lua
Parado no meio da rua
Numa confluência em Andrômeda
um mundo que parece loucura
mas que vale a pena existir
A anos luz de distância
Ou quem sabe seja mesmo este aqui.
( Ulisses Tavares Neves )
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
A dose e a dúzia
A medida certa
Não tem receita
Pode a dose ser muita
e a dúzia não ser demais
Quando faltar
eu vou lembrar
Não dou importância
Até que se vá
até que termine
Uma dose ou uma dúzia?
Sentirei a mesma falta
Hoje são só coisas que não valorizo
depois percebo que preciso
Não dei conta do que já fiz
E senti falta do meu passado
Quando a saudade era resolvida
Apenas em um olhar pro lado
Dose de saudosismo
Dúzias e dúzias de quilômetros
palavras que eu não disse
Alguém que já não pode ouvi-las
sinônimo de abandono
Tudo na medida
Uma dose de hora certa
Uma dúzia de oportunidades
A coisa certa é muito discreta
Serve-se de pequenas doses
mantem-se guardada às dúzias
Até que, sem querer, some
da mesma forma que desperta
disponibilidade, presença e lembrança
coisas que satisfazem
E "o não ter" é perceber
A falta que alguém te faz
Um copo e um calibre?
Uma dose e uma dúzia...
Uma mente inquieta
Enfim, hoje posso dizer
Pra se viver não precisam motivos
Ter sempre um amor ou um apego
Um lugar pra onde ir
Nem que seja o seu emprego
Uma palavra, mais uma noite, um pai
Uma flor, uma mãe, outras manhãs
uma dose ou uma duzia?
qual é a medida certa?
Tanto faz, quando ambas forem daquilo
que de alguma forma te trazem paz
Mas não confunda com vícios
aí tanto a dose quanto a dúzia
ambas já seriam demais
( Ulisses Tavares Neves )
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Pergunte a Quem Está ao Seu Lado
Somos todos iguais
nossos defeitos são todos evidentes
para que possamos percebê-los
por nós mesmos,
O que não ocorre frequentemente
A vivência, humildade e maturidade
Tudo isso demanda tempo
vem com o passar dos anos
Por isso convivemos com pessoas
também capazes de assim fazê-lo
Alertar-mo-nos sobre eles,
Prevenirem-se e convivermos
São todas elas nossas amigas
Pois querem o nosso bem
Afinal conviver com o defeito dos outros
Não é fácil para ninguém
é para quem respeita
Só existe uma pessoa suspeita
a pessoa que te ama!
Essa ama até os seus defeitos
quando quer arruma um jeito
até mesmo de apagá-los
Nem que tenha que negá-los
até que de tanto acreditar em sua melhora
um dia todos os defeitos vão embora
São dissipados e logo esquece o quão demora
O que importa é o agora
Tudo o mais é só passado...
Como esse amor é muito raro
E quem merece este milagre
É quem se dedicou ao amar
talvez até sem ser amado
De vez em quando julgue seus atos
ou pergunte a quem está do seu lado
Defeito só é bom quando tem jeito
engraçado, defeito é sempre predicado!
Tudo aquilo que se diz do sujeito
A não ser que vire apelido
O Feio - é substantivo...
Bem, esse é um outro assunto
e como disse lá no início
Somos todos iguais
quem de nós não tem um defeito?
Incomodamos mais do que somos incomodados.
Vai me dizer que você não sabia?
Pergunte a quem está ao seu lado.
( Ulisses Tavares Neves )
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Um Momento Só.
Um momento só
e refletir a vida
Diante de mim e do mundo
minha contemplação solitária
absurdas possibilidades mudas
Ensurdecedoras a ponto de levar a loucura
Um momento só
Único e inesquecível
De sorrisos fartos
Palavras altas
E muita celebração
Prazer e cansaço, por que não?
Um momento só
Falta pouco
Expectativas correspondidas
Após muitas agonias da vida
lutas já vencidas
Embora faltem muitas para sequer conhecer
Um momento só
E tudo o que eu queria
Estaria perfeito
Nem que fosse só do meu jeito
Até mesmo o que pudesse esquecer
todos os sim e os não também
E faria muita diferença
Um momento só
O melhor presente
Um saudoso passado
Um grandioso futuro
Em qualquer lugar do tempo
Até daquele bem gasto
Ainda daquele perdido
Um momento só
E não precisaria de muito
Você, tempo, espaço e ninguém mais
Tudo ao mesmo tempo
Respirar um pouco, que falta me faz!
Ter medo, chorar, cantar, sei lá...
Tudo por assim estar
Por assim dizer
Por acontecer
E você a permanecer
A desejar e nem sempre ter
Tudo concreto e por completo
Em seu complexo imaginário
Mais nada a fazer
Só o que é preciso
Ser preciso uma vez
Por um único momento
e só. Pense nisso!
Só não vá se sufocar.
( Ulisses Tavares Neves )
Cheirinhos*. Um Certo Amor
O Gostar e o gosto
O amor e o aroma
Amar e provar desse amor
O amor é bom
E o melhor é amor também
Infinito e indecifrável
Só se for o de verdade
É deixar-se amar
Sem deixar de amar
Amor tem cheiro sim
Tem um certo cheirinho
De aproximação
Gatilho do coração
Certeza da presença
como um tempero
Que se agrega, se mistura
Que se abranda com um carinho
E tudo é enfim amor
Sincero amor
Do jeito que for
mesmo quando não estou
Impregnado no ar
Sem incomodar
Se eu for
só se for...
O teu amor, é claro.
(Ulisses Tavares Neves )
*Título dado a este texto pela minha esposa Fernanda Tavares.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Seguir Acreditando
Ter algo para acreditar
Para ver, sentir e sonhar
Quem sabe sorrir
Quem sabe chorar
Amar sempre e mais
E quem é que sabe?
Ter uma verdade
Criar uma verdade
Veja só você, é verdade!
Não ser de mentira
Não me tira a fé
Já não sabemos no que acreditar
Sombras do dia
luzes de outono
reflexos controvertidos
Primavera...Árabe...
gotas de sonhos
orvalhos das manhãs
E algo além de defeitos
O que nos der força
Para continuar tentando
A beleza do ser humano
É esse dom incomparável
De não desistir, de lutar pela vida
Sobreviver aos seus próprios preconceitos
Ou pelo menos arrumar um pretexto
E seguir acreditando.
( Ulisses Tavares Neves )
sábado, 10 de novembro de 2012
Tons de Azul
Os tons de azul de hoje definem a beleza.
Há nuvens neste céu que parece ter saído de um sonho.
Quem muda sou eu
com o tempo envelheço, amadureço, tenho só o que mereço
Desde castigos até grandes amigos
Que nunca esqueço
Compreendi a verdade da qual tinha receio:
O homem é produto do meio
Imperfeito e cheio de contrastes
Tudo o mais é praxis!
E me vejo neste azul e branco
Satisfeito por ter me reduzido
A um subproduto
Desta variação de quatro estações
Com construções, desconstruções e vários caminhos
Alguns longos, outros mais curtos
Evidentes, tortos, sórdidos e ocultos.
Uma estrada com várias casas
E até um tom de vermelho
Enfim, o mundo é pra mim
Aquilo que eu quiser e puder ver
Sou esse produto
Absorvendo o que vivo e o que vejo.
Meu mundo é reflexo
Do que olho em meu espelho.
(Ulisses Tavares Neves)
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Tarde Demais!
Embaixo da árvore havia uma placa
estava escrito: Tarde Demais!
Pessoas passavam, liam e não paravam
Algumas abaixavam a cabeça
Seguiam em frente, com ar de lamentação
Outras olhavam em volta
Colocavam a mão na cintura
Abriam os braços e davam com os ombros
Partiam lamentando-se por nada entender
E por nada poder fazer
Houve quem, respeitosamente, fizesse uma prece
E até quem pensasse se tratar de brincadeira
Investigaram a placa e sairam sorrindo
Até que houve um alguém
que parou e esperou
olhou para o campo de trigo logo a frente
viu uma imensidão reluzente
como um mar dourado
perplexo, sentou-se
percorreu com a vista as montanhas
Elas fechavam o horizonte
mas pareciam o caminho para aquele céu
foi quando, enfim, o sol se pôs
Um pensamento a alcançou
cheguei na hora certa...
então, refletindo, concluiu - Tarde Demais!
( Ulisses Tavares Neves)
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
A melhor hora do dia

A hora de aprender é a melhor
A cabeça pode estar cheia
Pode ser de fatos do dia-a-dia
Pode até estar fazia
E uma luz invade a mente
Tirando-me da agonia deprimente
da ignorância que vicia
Parado olhando pro tempo
retiro as lições do vento
que vem soprar em meus ouvidos
sussurrando conhecimento
a melhor forma de libertação.
Livre-me de mim mesmo
De julgar-me conhecedor de tudo
de blindar-me com a soberba
e não querer explicação
Ensina-me a viver
Sempre aos pés da sabedoria
Pois só é mesmo sábio
Quem admite que não sabia
Tornando-se sempre mais humilde
Sem perceber que assim seria
Aprendi a conviver
E descobrir as belezas da vida
Percebendo mil motivos
Pra sorrir de tanta alegria.
( Ulisses Tavares Neves )
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Um Por Todos e Todos Por Um.
Um dia desses, conversando com amigos, percebi o quanto certas pessoas tem a tendência de enxergar o mundo apenas pelo seu ponto de vista. Naquele dia, o assunto variou entre os problemas da profissão, passou por políticas públicas, responsabilidades, existência de Deus, auto ajuda, liderança entre outros.
O que mais me impressionou foi a capacidade que certas pessoas tem de se excluírem dos resultados, de não entender o papel que cada um desempenha para que se atinja este ou aquele objetivo, e ainda, arque-se com esta ou aquela consequência, oriundas de seus próprios atos, desrespeite-se as individualidades e prevaleça, ao fim, a desarmonia.
Aproveitei a ocasião para tentar demonstrar a importância da união que deve haver entre todas as pessoas, independente de que grupo façam, afinal vivemos em sociedade. Então, pedi para que uma pessoa lê-se um texto que falava sobre ajuda ao próximo. Após alguns minutos, tendo todos escutado a referida leitura, perguntei a opinião de todos sobre o que tinham acabado de ouvir.
Aproveitei a ocasião para tentar demonstrar a importância da união que deve haver entre todas as pessoas, independente de que grupo façam, afinal vivemos em sociedade. Então, pedi para que uma pessoa lê-se um texto que falava sobre ajuda ao próximo. Após alguns minutos, tendo todos escutado a referida leitura, perguntei a opinião de todos sobre o que tinham acabado de ouvir.
Todos concordaram que o texto era ótimo. Entretanto, a prática daquelas ações era difícil. Um dos presentes, estando mais entusiasmado, ainda acrescentou - E se eu sair por aí, sozinho, fazendo isso, ainda vou correr riscos, vou ser chamado de louco! Todos concordaram.
Diante de tal realidade fiz a seguinte afirmação - Verdade! E indaguei: quem disse que é para você sair fazendo tudo sozinho? A resposta foi: O texto! E veio seguida de risos.
Passada a euforia, fiz uma nova pergunta: Você acha mesmo que esse texto é só para você? Imagine você se todos aqueles que o lerem, ao invés de sair por aí praticando a caridade, resolverem não fazer nada? E imagine, ainda, se o contrário ocorrer, ou seja, se todos os leitores deixarem o temor de lado e passarem a fazer o que o texto diz? Um bando de loucos receosos, porém caridosos, estariam espalhados por toda a cidade. Será "um por todos e todos por um!"*.
Há algo de bom esperando por todos nós, vamos fazer a diferença, para que alcancemos dias melhores. Paz e bem.
( Ulisses Tavares Neves )
* Esta frase pertence ao Livro Os Três Mosqueteiros, um romance histórico escrito pelo francês Alexandre Dumas.
* Esta frase pertence ao Livro Os Três Mosqueteiros, um romance histórico escrito pelo francês Alexandre Dumas.
Encontrar um tesouro não é fácil
Encontrar um tesouro não é fácil
No meio da multidão a dificuldade aumenta
Tem gente que procura em outro mundo
É preciso um pouco de paciência
desembaraçar o pensamento
entender a própria existência
ter certeza daquilo que se procura
Podemos andar o mundo inteiro e não encontrar
Podemos gastar o que não temos
desperdiçar uma vida
e nem saber por onde começar
Hoje em um sinal de trânsito
vi a alegria passar me pedindo esmola
vi força de vontade em quem não tinha mais saúde
vi a humildade a espera de um milagre
não me sentindo capaz de ajudar
Questionei-me: Para onde vão os nossos sonhos?
Por que se transformam em ilusões?
São como tesouros esquecidos
Planos perfeitos e foram todos perdidos!
Sequer temos um mapa
para nos revelar o "x" da questão
Em algum lugar do passado
Escondemos a riqueza que tínhamos
sobravam motivos
E tudo estava ali, bem ao nosso alcance
Encontrar um tesouro não é fácil
Entender o verdadeiro significado da palavra riqueza
Talvez seja o mais importante
(Ulisses Tavares Neves)
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
A Natureza de Cada Um
A minha natureza é viva
Também é um pouco torta
Esforça-se para sobreviver
Banhada por um mar de alegria
Cujas ondas explodem nas areias da fantasia
A minha natureza tem um quê de agonia
Respira um ar carregado de sonhos
E vê passar bandos de pássaros em migração
Como ideias que mudam
E seguem uma outra direção
Rumo sempre a um novo encontro
A minha natureza não esquece nem abandona
Transforma, não se perde, embora devaneie
Quase sempre durante as madrugadas
E na confusão de céu, nuvem e estrelas
De sol nascendo e sonhos morrendo
De todas as manhãs, mesmo as que não acordo
É que me percebo vivo
E com mil razões para viver
Eu sou assim mesmo
viva a sua natureza
Ou então se deixe morrer.
(Ulisses Tavares Neves)
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Sementes.
Mais uma vez cá estou
Diante do meu Jardim
Aquele das mais lindas flores
Vejo sementes em um pote de vidro
Nele está escrito - Compreensão.
Não entendo nada de sementes
Mas percebo que são variadas
Uma mulher se apresenta
Eu pergunto a ela se é um tipo de flor ou planta
Ela sorri e responde - É quase isso.
E passa a me explicar o porquê da metáfora...
Saio dali entorpecido
Para cada momento há um tipo de flor
Uma gentileza ou um ato de amor
Um conforto a alguém
Uma forma de minimizar a dor
Basta termos percepção e
A flor dirá algo, tocará o coração
No fim, já perto de casa
Admirava mais a nobreza feminina
Não há nada como uma flor
Existe uma para cada ocasião
A jardineira me contou que tudo o que queria da vida
Era ser compreendida
Um dia, ouvira alguém dizer:
- A gente colhe o que planta!
Lição simples
Como deveria ser a vida.
(Ulisses Tavares Neves)
domingo, 28 de outubro de 2012
Passatempo
Eu corro contra o tempo
na contramão do movimento
mas o meu sentido é certo
paralelo ao erro
eu o atravesso, eu erro
procuro um acerto
eu parto ao meio
eu conserto
acerto o passo
eu me apresso
eu acho a direção do vento
eu tento
eu aprendo
eu vou vivendo
vou indo
vou lendo
vou vendo
eu compro
eu troco
eu não perco o foco
eu me importo
incomodo-me
eu descubro
eu faço
eu caio
iludo-me
disfarço, eu vou em frente
eu falo
eu transformo
escuto
eu curto e compartilho!
eu deleto e descarto
não sou Cartesiano
nem obtuso
não sou quadrado
sou imperfeito
mas tenho jeito
só não me calo
uma virtude ou um defeito?
meu passatempo predileto
é não ter a pretensão de estar certo
é fazer o que tiver que ser feito
arrumar um jeito
sempre diferente
ante todas as mudanças frequentes
de fazer as pazes
de encontrar a paz
de viver em paz
daqui pra frente
mais uma vez
outra e novamente
urgentemente
se é que você me entende.
(Ulisses Tavares Neves)
sábado, 27 de outubro de 2012
Noite
Noite
o lugar onde o infinito se escondeu
onde os ventos caminham sem pressa
e o silêncio vem amplificar a vida
onde todos os sentidos se complementam
lugar onde há quem encontre o medo
há quem descubra a coragem
quem perceba a linha tênue necessária para atravessá-la
Basta um cuidado a cada passo
adentrando a escuridão
há vários mistérios surgidos com a inversão dos hemisférios
há um renascer com as gotas de orvalho
para cada folha e cada gramado
esperança do solo e dos olhos cansados
recebidas nas palmas das mãos
A noite é a hora de pedir perdão
de ser perdoado
É o abrigo dos fortes
mãe de todos nós
permite- nos deitar em seu colo
exercitamo-nos para a morte
carinhosamente, sonho após sonho
A noite é a hora da individualidade
Virtudes e defeitos saindo da sombra
Para equilibrarem-se
Iluminando a consciência
Trazendo-nos de volta melhores do que um dia fomos
Assim, quando envelhecemos
Percebemos o quanto é necessário
Anoitecer
(Ulisses Tavares Neves)
o lugar onde o infinito se escondeu
onde os ventos caminham sem pressa
e o silêncio vem amplificar a vida
onde todos os sentidos se complementam
lugar onde há quem encontre o medo
há quem descubra a coragem
quem perceba a linha tênue necessária para atravessá-la
Basta um cuidado a cada passo
adentrando a escuridão
há vários mistérios surgidos com a inversão dos hemisférios
há um renascer com as gotas de orvalho
para cada folha e cada gramado
esperança do solo e dos olhos cansados
recebidas nas palmas das mãos
A noite é a hora de pedir perdão
de ser perdoado
É o abrigo dos fortes
mãe de todos nós
permite- nos deitar em seu colo
exercitamo-nos para a morte
carinhosamente, sonho após sonho
A noite é a hora da individualidade
Virtudes e defeitos saindo da sombra
Para equilibrarem-se
Iluminando a consciência
Trazendo-nos de volta melhores do que um dia fomos
Assim, quando envelhecemos
Percebemos o quanto é necessário
Anoitecer
(Ulisses Tavares Neves)
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Nunca é tarde.
Como um conquistador
sorria diante de tudo
julgava ser tudo seu
enlouquecia aos poucos...
Diante de todo mundo
só via o mundo todo a ser conquistado
Não sabia dos perigos
da frustração de terminar sozinho
afogado em suas mágoas.
Como numa ilha deserta
errar era assim
possível e permitido
para si próprio era algo necessário
Querer ser mais do que era
Ter mais do que precisava
E agora? Não há ilha!
Diante de um mundo novo
Percebe-se a perda de tempo
Diante da solidão
Semblante sem sorrisos
Um desespero no peito
agora não era nada perfeito
tornou-se pretérito
o "mais que perfeito"
Seu mundo fora!
era necessário acertar
definir os caminhos
Apressar o passo
Achar todo o tempo que se perdeu...
Começou por entender que nunca é tarde
Sempre é hora de mudar para melhor
E resolveu mudar um antigo ditado:
"Antes mal acompanhado do que só!"
Quem sabe ao certo quem será a boa companhia?
Sorrindo, abandonou a vaidade
Hoje é visto andando por aí
E a todos cumprimenta,
E obtém a mesma resposta: Bom dia!
Afinal "Gentileza gera gentileza"*
(Ulisses Tavares Neves)
Nota: Este texto não se refere a vida e a obra do autor da frase citada, a expressão foi usada no sentido de homenagear a atitude da GENTILEZA que deve prevalecer no relacionamento humano, em determinadas ocasiões da vida cotidiana, em nossa sociedade.
*Expressão utilizada por José Datrino, mais conhecido como profeta Gentileza (Cafelândia, São Paulo, 11 de abril de 1917 — Mirandópolis, São Paulo, 28 de maio de 1996) foi uma personalidade urbana carioca, espécie de pregador, que se tornou conhecido a partir de 1980 por fazer inscrições peculiares sob um viaduto no Rio de Janeiro, onde andava com uma túnica branca e longa barba.
"Gentileza gera gentileza" é sua frase mais conhecida.[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Profeta_Gentileza,
[1] Artigo publicado na SciELO formato PDF (Fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Profeta_Gentileza )
Mais informações sobre José Datrino em : http://oimpressionista.wordpress.com/museu-virtual-gentileza/sábado, 13 de outubro de 2012
Mais Valia da Igualdade
Mais vale um sorriso alheio
do que o próprio
Mais vale a alegria alheia
do que a própria
Mais vale a felicidade
do próximo
Porque se não houver tristeza a ser socializada
A felicidade alheia também será a minha
O lucro da convivência será a harmonia
Nunca haverá excesso
será isso também uma Utopia?
Sermos todos felizes?
será mesmo possível?
Valeria mesmo a pena
dividir a igualdade?
somar o esforço da produção
os meios empregados
o valor agregado
e saber o preço final de tão rara mercadoria
Não sei o preço que se pagaria
A diferença entre tudo isso
E o salário a ser pago a quem conseguir
a chamada mais valia
Expressa na convivência sadia
é claro, revelaria a disparidade
entre o meu sonho de igualdade
e a assimétrica realidade.
Por enquanto não tenho respostas
Mantenho aqui a minha proposta
do que se faz possível
Vamos socializar o sorriso
em qualquer lugar
Espantar o vizinho - Tédio
Vamos viajar
Até para o Oriente Médio!
Revelar os sorrisos
Percebeu a facilidade?
Poder sorrir é o primeiro passo
na conquista da igualdade.
(Ulisses Tavares Neves)
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
O Jardim das Mais Lindas Flores
Foi numa sexta-feira
que eu olhei o Jardim
das mais lindas flores
encontrei algo além do que imaginei
encontrei um abrigo repleto de paz
Não fui eu que as plantei
Quem seria o jardineiro? Pensei.
E me perdi nos pensamentos
Sentindo o vento da tarde
é dessa paz que eu preciso
por alguns minutos
por horas e horas
Mas não tenho tanto tempo assim
Essa é uma triste realidade
Somos tomados por completo
por um sonho de concreto
com cortinas de fumaça
e cuja paisagem é uma vidraça!
que por incrível que pareça
Não é de graça!
Custando mais do que valem
estas estruturas armadas
que arranham o céu
arranham os sonhos
Sem permissão
Escondem a lua
e minhas estrelas que lembram fadas
Volto a olhar as flores
um pedaço de mundo em paz
ao qual o destino me trouxe
Vou aproveitar mais a minha alegria
Não deixar morrer a pouca fantasia
vou viver todo dia
Como se sexta-feira fosse!
visitando esse jardim
pra ver um mundo mais doce.
( Ulisses Tavares Neves)
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Intensidade
Era um tempo em que eu
Andava pelas ruas cantando
sem perceber que era loucura
mesmo por não entender
absolutamente nada da vida
no meu tempo, em meu mundo
Pior seria emudecer e andar sozinho, loucura!
Perder a companhia da melhor canção
Como poderia ser?
tempo em que fui capaz de invadir um parque
Seu gramado perfeitamente verde
correr atrás dos pequenos animais soltos ali
espantar todos os pombos
sem querer
ajoelhar-me ao pé da estátua
abrir os braços
cantar " Figaro"!
e no segundo seguinte
voltar a calma
eis o universo da hiperatividade
nele sempre há uma poesia a ser redescoberta
algo pulsante e mais forte
teimosias, ingenuidade e muita vontade de viver
passada essa breve sensação de liberdade
seguro por mãos maternas
sinto-me bem-vindo
A este universo comum
chamado normalidade.
( Ulisses Tavares Neves )
sábado, 6 de outubro de 2012
Aquilo que não pude, ou o filho do quase.....
Aquilo que não pude, ou o filho do quase.....
Muitas coisas pude, outras não
Algumas coisas fiz, outras quase
Disse algumas palavras, outras engoli com o medo
Brotaram sorrisos de meus lábios, e com os mesmos ofendi muitos.
Sombras de algo que não sei ao certo do que se trata, mas se trata.
Busca de inspiração, desconsolo por não tê-la.
Certeza de capacidade, triste fim da idéia não levada adiante pela covardia.
Gênio nas entranhas de meus pensamentos
estúpido pela incapacidade de concatenar o pensamento que se processa tão rápido como um piscar de olhos.
Senhor das idéias,
o príncipe da falácia divagando vãs teorias que nos levam do nada a nenhum lugar
Muitas coisas pude, outras não
Algumas coisas fiz, outras quase...
( Júlio Tavares )...meu irmão.
Muitas coisas pude, outras não
Algumas coisas fiz, outras quase
Disse algumas palavras, outras engoli com o medo
Brotaram sorrisos de meus lábios, e com os mesmos ofendi muitos.
Sombras de algo que não sei ao certo do que se trata, mas se trata.
Busca de inspiração, desconsolo por não tê-la.
Certeza de capacidade, triste fim da idéia não levada adiante pela covardia.
Gênio nas entranhas de meus pensamentos
estúpido pela incapacidade de concatenar o pensamento que se processa tão rápido como um piscar de olhos.
Senhor das idéias,
o príncipe da falácia divagando vãs teorias que nos levam do nada a nenhum lugar
Muitas coisas pude, outras não
Algumas coisas fiz, outras quase...
( Júlio Tavares )...meu irmão.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Próximo Capítulo
Vou folheando o livro dos meus erros
Página após outra
Alguns impressionam
Ainda surpreendem
Parece loucura
Mas são meus atos
Conscientes, inconsequentes
Outros imprevisíveis
deparo-me com meus enganos
Jurava não estar errado
sonhava acordado
andava desorientado
julgava ter certeza
chego ao arrependimento
capítulo extenso
descubro coisas que não fiz
e as que fiz mesmo sem querer
surgem os muitos pedidos de desculpas
alguns sem perdão
descubro o porquê de ter em mãos
um exemplar tão pesado
cheguei ao capítulo da culpa
sim, não há nada comparado
o que nunca impedirá a mim
nem a ninguém de tentar acertar
mais uma, e outra vez
tantas quanto forem necessárias
de buscar os caminhos que conduzem à vitória
até o fim da leitura
até o fim da história
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Involuntário
O que há para amar?
Uma flor?
Um mar?
O luar?
O ar?
O coração pulsa
Expulsa,Atrai
Expulsa,Atrai
Não se cansa
E o cérebro
imagina, idealiza e enlouquece
cem razões para amar
brilha e sobrevive
sem razões para amar
escurece e envelhece
envelhece a flor, o mar, o luar
a razão amadurece
o coração para
o cérebro esquece
o cérebro não para
e o coração não esquece
o mar, a flor, o luar, o ar
não se cansa
o amor é involuntário
assim como o coração
o pensar é involuntário
assim como o amor
corações e mentes
amam involuntariamente
sem parar
sem...
...parar
sem...
...
(Ulisses Tavares Neves)
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Explicar o inexplicável
A hora errada
aquela em que o sonho acaba
quando escapa uma palavra
mal dita e precipitada
o fim da fantasia
nada será como antes
segredos revelados
intenções demonstradas
tudo dá errado na hora errada
Tudo é engano!
Na hora certa
aquela em que nasce a felicidade
é como um milagre
intenso, inexplicável e inesquecível
O início de um bom dia
Onde não cabe em si a alegria
Tempo passando
já não há volta
e nada será como antes
segredos revelados
intenções demonstradas
tudo é perfeito
tudo dá certo na hora certa
até o que tem de dar errado
dará errado na hora certa
A natureza se transforma
Tudo se encaixa
cedo ou tarde
um dia esse ciclo se completa
Explicar o inexplicável
Eu deixo pra Deus
Vou dando um passo de cada vez
quem sabe um dia eu acerto!
( Ulisses Tavares Neves )
aquela em que o sonho acaba
quando escapa uma palavra
mal dita e precipitada
o fim da fantasia
nada será como antes
segredos revelados
intenções demonstradas
tudo dá errado na hora errada
Tudo é engano!
Na hora certa
aquela em que nasce a felicidade
é como um milagre
intenso, inexplicável e inesquecível
O início de um bom dia
Onde não cabe em si a alegria
Tempo passando
já não há volta
e nada será como antes
segredos revelados
intenções demonstradas
tudo é perfeito
tudo dá certo na hora certa
até o que tem de dar errado
dará errado na hora certa
A natureza se transforma
Tudo se encaixa
cedo ou tarde
um dia esse ciclo se completa
Explicar o inexplicável
Eu deixo pra Deus
Vou dando um passo de cada vez
quem sabe um dia eu acerto!
( Ulisses Tavares Neves )
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Por quê?
Por quê?Posso levantar mil motivos
para termos um pouco de paz
mas basta ter um único
e a guerra se faz
não sei ser triste demais
nem feliz de menos
não tenho tempo para inimizades
prefiro gastá-los com quem prezo
aqueles a quem chamo de amigo
e por quem toda noite rezo
enriqueçam algo mais do que urânio
derrubem muito mais do que fronteiras
sentem-se à mesma mesa
multipliquem os sorrisos
aparem-se as arestas
dividam uma garrafa
e afoguem somente as mágoas
enfim resolvam suas diferenças
vivamos, ao menos, um ano!
Nem falo de uma era!
sob a égide da paz nessa terra
Não sou "Tereza Batista"*
Mas estou cansado de guerra
( Ulisses Tavares Neves )
Nota:
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
* Teresa Batista cansada de guerra é um romance escrito por Jorge Amado e publicado em 1972. O livro conta a história de uma jovem obrigada a se prostituir. Já foi traduzida para alemão, árabe, coreano, eslovaco, esloveno, espanhol, francês, grego, hebraico, holandês, inglês, italiano, norueguês, polonês, turco e vietnamito.
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