segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Estrada da Vida
O não olhar para trás
Medo ou desdém
saber o passado que se tem
Percebi que sempre será
engraçado e conveniente
Mas a lembrança se tem no tempo presente
Não é como o olhar para trás
Também não é a falta de coragem
Não se chama de covardia
é como uma experiência
como magia, um remédio
sem fórmulas milagrosas
ou como lições que não se tiram dos livros
Aparecem como sinais
de tempos em tempos
Rugas, cabelos brancos e calos nas mãos
sem remorsos ou julgamentos
sem dor e sem culpa
Canções, contos e obras de arte
Experiências e histórias contadas por alguém
Todos os dias
Os meus, os seus e os dela também
E mais uma vez convido todos a celebrar:
Viva a vida que se tem!
E como eu sempre digo
Uns gritarão Viva!
Em alto e bom tom
Já outros, simplesmente...
Viverão.
( Ulisses Tavares Neves )
sábado, 22 de dezembro de 2012
Cativeiro
Aprisionava o amor
Exibia com orgulho sua escolha
Sentia algo diferente batendo no peito
dizia sempre que estava apaixonado
O melhor lugar para guardar
Tanto carinho e tanto cuidado
Era dentro de seu mundo
Sentia todo dia o coração preenchido
E nada desse mundo o faria mudar
não temia estar enganado
Nem tinha pretensões de mudar o mundo
Acontece que em lugar algum
Apaixonar era sinônimo de aprisionar
nem no suposto dicionário de termos errados
Mesmo que existisse,
não nos daria a chance de termos errado
vieram os conflitos
Até pelo que jurava amar
A cada dia uma nova pergunta
por onde andaria o amor? Refletia
Será que fugiu da...prisão
Onde estaria a chave que abre o coração
que libertaria o amor contido no peito
não sabia, há tempos não a via
Será que havia?
E se encontrasse um novo amor?
Abririam-se as portas novamente?
Mudou de amor várias vezes
Escravizou e se deixou escravizar
De um amor intenso
E só seu...
Só seu...Seu...Eu
Ouvindo ecos, entendeu seu egoísmo
Descobriu que o amor
É comungado pelo mundo inteiro
da mesma forma
não importa o seu hospedeiro
Precisa sim de muito cuidado
Mas, anda livre pelas ruas
Jamais poderá ser criado em...
Cativeiro.
( Ulisses Tavares Neves )
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Pés na Estrada.
Por onde andar?
A via é vida
pés na estrada
em busca de um futuro bom
Vejo pés de jacarandá
paisagem que faz bem
crianças de pés descalços
Vendendo doces na porta da escola
Na placa estava escrito: "Vende-se" pés de moleque
ou seriam seus futuros? Contraste? Realidade!
Aos pés do altar da igreja que passa
Um homem se punha a rezar
uma mulher gritava: "Eu juro de pés juntos..."
A viagem não pode parar
Se estivesse a mil pés de altura
Não perceberia esses detalhes
meus pés não estariam no chão
Não se pode perder a cabeça
Lembrei-me do "Lava-Pés", humildade é a lição
Mas gente que se diz humilde é o que não falta
A meter os pés pelas mãos
Depois, com sentimento de culpa
caem aos pés, implorando perdão
moral da história
há muitos caminhos a serem seguidos
Mas é preciso passar com os próprios pés
Para descobrir a melhor direção.
( Ulisses Tavares Neves )
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Silêncio Ambiente
Cansado de estar cansado
acometido por males modernos
problemas de pressão
de pressão alta,
controle de pressão
depressão sem controle
precisamos saber viver sob pressão
Vejo rostos e olhares
Parece-me que os sonhos estão escassos
São rostos de Insônia
de sono interrompido
por carros que passam
festas na vizinhança
Respiração ofegante
pelo desrespeito flagrante
escuto os sons
som nas alturas
Som no leve
Sono leve
Sono, leve-me
levemente, afasto-me
Calmamente
a mente se acalma
Acalme-se a alma
Silêncio e procura
Silêncio é a cura
Silêncio ambiente
Hodiernamente
( Ulisses Tavares Neves )
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Em Algum Lugar
Por parecer loucura, vale a pena
A mente nem sempre é serena
desmente as razões e os porquês
Essa é a ciência simplória do querer
Gosto da noite serena
Porque me faz pensar
Gosto do sereno da noite
Posso sentir o seu cheiro no ar
Sinto-me bem ao olhar as estrelas
Mesmo que a noite não tenha luar
é durante a noite que se percebe
a enlouquecedora vastidão de mundos
abismos noturnos sem fundos
está tudo lá, em algum lugar
depois do nosso sol
no limite da nossa compreensão
a loucura que vale a pena
um mundo melhor
do que o meu, do que o seu
um mundo que pertence a alguém
e não sabemos como chegar
como eu disse no início
eu quero acreditar nesse mundo
não importa quem estiver lá
não devem ser seres como eu
nem como você também
Mas, se a ciência do querer é simplória
Quem sabe seja mais simples do que imagino
o futuro daqueles que eu quero bem
quem sabe já exista por aí
Na esquina de uma Via Láctea
Que eu possa ver em dias de primavera
Uma mancha no fundo do céu
Daquela noite sem lua
Parado no meio da rua
Numa confluência em Andrômeda
um mundo que parece loucura
mas que vale a pena existir
A anos luz de distância
Ou quem sabe seja mesmo este aqui.
( Ulisses Tavares Neves )
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