quarta-feira, 31 de outubro de 2012
A Natureza de Cada Um
A minha natureza é viva
Também é um pouco torta
Esforça-se para sobreviver
Banhada por um mar de alegria
Cujas ondas explodem nas areias da fantasia
A minha natureza tem um quê de agonia
Respira um ar carregado de sonhos
E vê passar bandos de pássaros em migração
Como ideias que mudam
E seguem uma outra direção
Rumo sempre a um novo encontro
A minha natureza não esquece nem abandona
Transforma, não se perde, embora devaneie
Quase sempre durante as madrugadas
E na confusão de céu, nuvem e estrelas
De sol nascendo e sonhos morrendo
De todas as manhãs, mesmo as que não acordo
É que me percebo vivo
E com mil razões para viver
Eu sou assim mesmo
viva a sua natureza
Ou então se deixe morrer.
(Ulisses Tavares Neves)
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Sementes.
Mais uma vez cá estou
Diante do meu Jardim
Aquele das mais lindas flores
Vejo sementes em um pote de vidro
Nele está escrito - Compreensão.
Não entendo nada de sementes
Mas percebo que são variadas
Uma mulher se apresenta
Eu pergunto a ela se é um tipo de flor ou planta
Ela sorri e responde - É quase isso.
E passa a me explicar o porquê da metáfora...
Saio dali entorpecido
Para cada momento há um tipo de flor
Uma gentileza ou um ato de amor
Um conforto a alguém
Uma forma de minimizar a dor
Basta termos percepção e
A flor dirá algo, tocará o coração
No fim, já perto de casa
Admirava mais a nobreza feminina
Não há nada como uma flor
Existe uma para cada ocasião
A jardineira me contou que tudo o que queria da vida
Era ser compreendida
Um dia, ouvira alguém dizer:
- A gente colhe o que planta!
Lição simples
Como deveria ser a vida.
(Ulisses Tavares Neves)
domingo, 28 de outubro de 2012
Passatempo
Eu corro contra o tempo
na contramão do movimento
mas o meu sentido é certo
paralelo ao erro
eu o atravesso, eu erro
procuro um acerto
eu parto ao meio
eu conserto
acerto o passo
eu me apresso
eu acho a direção do vento
eu tento
eu aprendo
eu vou vivendo
vou indo
vou lendo
vou vendo
eu compro
eu troco
eu não perco o foco
eu me importo
incomodo-me
eu descubro
eu faço
eu caio
iludo-me
disfarço, eu vou em frente
eu falo
eu transformo
escuto
eu curto e compartilho!
eu deleto e descarto
não sou Cartesiano
nem obtuso
não sou quadrado
sou imperfeito
mas tenho jeito
só não me calo
uma virtude ou um defeito?
meu passatempo predileto
é não ter a pretensão de estar certo
é fazer o que tiver que ser feito
arrumar um jeito
sempre diferente
ante todas as mudanças frequentes
de fazer as pazes
de encontrar a paz
de viver em paz
daqui pra frente
mais uma vez
outra e novamente
urgentemente
se é que você me entende.
(Ulisses Tavares Neves)
sábado, 27 de outubro de 2012
Noite
Noite
o lugar onde o infinito se escondeu
onde os ventos caminham sem pressa
e o silêncio vem amplificar a vida
onde todos os sentidos se complementam
lugar onde há quem encontre o medo
há quem descubra a coragem
quem perceba a linha tênue necessária para atravessá-la
Basta um cuidado a cada passo
adentrando a escuridão
há vários mistérios surgidos com a inversão dos hemisférios
há um renascer com as gotas de orvalho
para cada folha e cada gramado
esperança do solo e dos olhos cansados
recebidas nas palmas das mãos
A noite é a hora de pedir perdão
de ser perdoado
É o abrigo dos fortes
mãe de todos nós
permite- nos deitar em seu colo
exercitamo-nos para a morte
carinhosamente, sonho após sonho
A noite é a hora da individualidade
Virtudes e defeitos saindo da sombra
Para equilibrarem-se
Iluminando a consciência
Trazendo-nos de volta melhores do que um dia fomos
Assim, quando envelhecemos
Percebemos o quanto é necessário
Anoitecer
(Ulisses Tavares Neves)
o lugar onde o infinito se escondeu
onde os ventos caminham sem pressa
e o silêncio vem amplificar a vida
onde todos os sentidos se complementam
lugar onde há quem encontre o medo
há quem descubra a coragem
quem perceba a linha tênue necessária para atravessá-la
Basta um cuidado a cada passo
adentrando a escuridão
há vários mistérios surgidos com a inversão dos hemisférios
há um renascer com as gotas de orvalho
para cada folha e cada gramado
esperança do solo e dos olhos cansados
recebidas nas palmas das mãos
A noite é a hora de pedir perdão
de ser perdoado
É o abrigo dos fortes
mãe de todos nós
permite- nos deitar em seu colo
exercitamo-nos para a morte
carinhosamente, sonho após sonho
A noite é a hora da individualidade
Virtudes e defeitos saindo da sombra
Para equilibrarem-se
Iluminando a consciência
Trazendo-nos de volta melhores do que um dia fomos
Assim, quando envelhecemos
Percebemos o quanto é necessário
Anoitecer
(Ulisses Tavares Neves)
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Nunca é tarde.
Como um conquistador
sorria diante de tudo
julgava ser tudo seu
enlouquecia aos poucos...
Diante de todo mundo
só via o mundo todo a ser conquistado
Não sabia dos perigos
da frustração de terminar sozinho
afogado em suas mágoas.
Como numa ilha deserta
errar era assim
possível e permitido
para si próprio era algo necessário
Querer ser mais do que era
Ter mais do que precisava
E agora? Não há ilha!
Diante de um mundo novo
Percebe-se a perda de tempo
Diante da solidão
Semblante sem sorrisos
Um desespero no peito
agora não era nada perfeito
tornou-se pretérito
o "mais que perfeito"
Seu mundo fora!
era necessário acertar
definir os caminhos
Apressar o passo
Achar todo o tempo que se perdeu...
Começou por entender que nunca é tarde
Sempre é hora de mudar para melhor
E resolveu mudar um antigo ditado:
"Antes mal acompanhado do que só!"
Quem sabe ao certo quem será a boa companhia?
Sorrindo, abandonou a vaidade
Hoje é visto andando por aí
E a todos cumprimenta,
E obtém a mesma resposta: Bom dia!
Afinal "Gentileza gera gentileza"*
(Ulisses Tavares Neves)
Nota: Este texto não se refere a vida e a obra do autor da frase citada, a expressão foi usada no sentido de homenagear a atitude da GENTILEZA que deve prevalecer no relacionamento humano, em determinadas ocasiões da vida cotidiana, em nossa sociedade.
*Expressão utilizada por José Datrino, mais conhecido como profeta Gentileza (Cafelândia, São Paulo, 11 de abril de 1917 — Mirandópolis, São Paulo, 28 de maio de 1996) foi uma personalidade urbana carioca, espécie de pregador, que se tornou conhecido a partir de 1980 por fazer inscrições peculiares sob um viaduto no Rio de Janeiro, onde andava com uma túnica branca e longa barba.
"Gentileza gera gentileza" é sua frase mais conhecida.[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Profeta_Gentileza,
[1] Artigo publicado na SciELO formato PDF (Fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Profeta_Gentileza )
Mais informações sobre José Datrino em : http://oimpressionista.wordpress.com/museu-virtual-gentileza/sábado, 13 de outubro de 2012
Mais Valia da Igualdade
Mais vale um sorriso alheio
do que o próprio
Mais vale a alegria alheia
do que a própria
Mais vale a felicidade
do próximo
Porque se não houver tristeza a ser socializada
A felicidade alheia também será a minha
O lucro da convivência será a harmonia
Nunca haverá excesso
será isso também uma Utopia?
Sermos todos felizes?
será mesmo possível?
Valeria mesmo a pena
dividir a igualdade?
somar o esforço da produção
os meios empregados
o valor agregado
e saber o preço final de tão rara mercadoria
Não sei o preço que se pagaria
A diferença entre tudo isso
E o salário a ser pago a quem conseguir
a chamada mais valia
Expressa na convivência sadia
é claro, revelaria a disparidade
entre o meu sonho de igualdade
e a assimétrica realidade.
Por enquanto não tenho respostas
Mantenho aqui a minha proposta
do que se faz possível
Vamos socializar o sorriso
em qualquer lugar
Espantar o vizinho - Tédio
Vamos viajar
Até para o Oriente Médio!
Revelar os sorrisos
Percebeu a facilidade?
Poder sorrir é o primeiro passo
na conquista da igualdade.
(Ulisses Tavares Neves)
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
O Jardim das Mais Lindas Flores
Foi numa sexta-feira
que eu olhei o Jardim
das mais lindas flores
encontrei algo além do que imaginei
encontrei um abrigo repleto de paz
Não fui eu que as plantei
Quem seria o jardineiro? Pensei.
E me perdi nos pensamentos
Sentindo o vento da tarde
é dessa paz que eu preciso
por alguns minutos
por horas e horas
Mas não tenho tanto tempo assim
Essa é uma triste realidade
Somos tomados por completo
por um sonho de concreto
com cortinas de fumaça
e cuja paisagem é uma vidraça!
que por incrível que pareça
Não é de graça!
Custando mais do que valem
estas estruturas armadas
que arranham o céu
arranham os sonhos
Sem permissão
Escondem a lua
e minhas estrelas que lembram fadas
Volto a olhar as flores
um pedaço de mundo em paz
ao qual o destino me trouxe
Vou aproveitar mais a minha alegria
Não deixar morrer a pouca fantasia
vou viver todo dia
Como se sexta-feira fosse!
visitando esse jardim
pra ver um mundo mais doce.
( Ulisses Tavares Neves)
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Intensidade
Era um tempo em que eu
Andava pelas ruas cantando
sem perceber que era loucura
mesmo por não entender
absolutamente nada da vida
no meu tempo, em meu mundo
Pior seria emudecer e andar sozinho, loucura!
Perder a companhia da melhor canção
Como poderia ser?
tempo em que fui capaz de invadir um parque
Seu gramado perfeitamente verde
correr atrás dos pequenos animais soltos ali
espantar todos os pombos
sem querer
ajoelhar-me ao pé da estátua
abrir os braços
cantar " Figaro"!
e no segundo seguinte
voltar a calma
eis o universo da hiperatividade
nele sempre há uma poesia a ser redescoberta
algo pulsante e mais forte
teimosias, ingenuidade e muita vontade de viver
passada essa breve sensação de liberdade
seguro por mãos maternas
sinto-me bem-vindo
A este universo comum
chamado normalidade.
( Ulisses Tavares Neves )
sábado, 6 de outubro de 2012
Aquilo que não pude, ou o filho do quase.....
Aquilo que não pude, ou o filho do quase.....
Muitas coisas pude, outras não
Algumas coisas fiz, outras quase
Disse algumas palavras, outras engoli com o medo
Brotaram sorrisos de meus lábios, e com os mesmos ofendi muitos.
Sombras de algo que não sei ao certo do que se trata, mas se trata.
Busca de inspiração, desconsolo por não tê-la.
Certeza de capacidade, triste fim da idéia não levada adiante pela covardia.
Gênio nas entranhas de meus pensamentos
estúpido pela incapacidade de concatenar o pensamento que se processa tão rápido como um piscar de olhos.
Senhor das idéias,
o príncipe da falácia divagando vãs teorias que nos levam do nada a nenhum lugar
Muitas coisas pude, outras não
Algumas coisas fiz, outras quase...
( Júlio Tavares )...meu irmão.
Muitas coisas pude, outras não
Algumas coisas fiz, outras quase
Disse algumas palavras, outras engoli com o medo
Brotaram sorrisos de meus lábios, e com os mesmos ofendi muitos.
Sombras de algo que não sei ao certo do que se trata, mas se trata.
Busca de inspiração, desconsolo por não tê-la.
Certeza de capacidade, triste fim da idéia não levada adiante pela covardia.
Gênio nas entranhas de meus pensamentos
estúpido pela incapacidade de concatenar o pensamento que se processa tão rápido como um piscar de olhos.
Senhor das idéias,
o príncipe da falácia divagando vãs teorias que nos levam do nada a nenhum lugar
Muitas coisas pude, outras não
Algumas coisas fiz, outras quase...
( Júlio Tavares )...meu irmão.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Próximo Capítulo
Vou folheando o livro dos meus erros
Página após outra
Alguns impressionam
Ainda surpreendem
Parece loucura
Mas são meus atos
Conscientes, inconsequentes
Outros imprevisíveis
deparo-me com meus enganos
Jurava não estar errado
sonhava acordado
andava desorientado
julgava ter certeza
chego ao arrependimento
capítulo extenso
descubro coisas que não fiz
e as que fiz mesmo sem querer
surgem os muitos pedidos de desculpas
alguns sem perdão
descubro o porquê de ter em mãos
um exemplar tão pesado
cheguei ao capítulo da culpa
sim, não há nada comparado
o que nunca impedirá a mim
nem a ninguém de tentar acertar
mais uma, e outra vez
tantas quanto forem necessárias
de buscar os caminhos que conduzem à vitória
até o fim da leitura
até o fim da história
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Involuntário
O que há para amar?
Uma flor?
Um mar?
O luar?
O ar?
O coração pulsa
Expulsa,Atrai
Expulsa,Atrai
Não se cansa
E o cérebro
imagina, idealiza e enlouquece
cem razões para amar
brilha e sobrevive
sem razões para amar
escurece e envelhece
envelhece a flor, o mar, o luar
a razão amadurece
o coração para
o cérebro esquece
o cérebro não para
e o coração não esquece
o mar, a flor, o luar, o ar
não se cansa
o amor é involuntário
assim como o coração
o pensar é involuntário
assim como o amor
corações e mentes
amam involuntariamente
sem parar
sem...
...parar
sem...
...
(Ulisses Tavares Neves)
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Explicar o inexplicável
A hora errada
aquela em que o sonho acaba
quando escapa uma palavra
mal dita e precipitada
o fim da fantasia
nada será como antes
segredos revelados
intenções demonstradas
tudo dá errado na hora errada
Tudo é engano!
Na hora certa
aquela em que nasce a felicidade
é como um milagre
intenso, inexplicável e inesquecível
O início de um bom dia
Onde não cabe em si a alegria
Tempo passando
já não há volta
e nada será como antes
segredos revelados
intenções demonstradas
tudo é perfeito
tudo dá certo na hora certa
até o que tem de dar errado
dará errado na hora certa
A natureza se transforma
Tudo se encaixa
cedo ou tarde
um dia esse ciclo se completa
Explicar o inexplicável
Eu deixo pra Deus
Vou dando um passo de cada vez
quem sabe um dia eu acerto!
( Ulisses Tavares Neves )
aquela em que o sonho acaba
quando escapa uma palavra
mal dita e precipitada
o fim da fantasia
nada será como antes
segredos revelados
intenções demonstradas
tudo dá errado na hora errada
Tudo é engano!
Na hora certa
aquela em que nasce a felicidade
é como um milagre
intenso, inexplicável e inesquecível
O início de um bom dia
Onde não cabe em si a alegria
Tempo passando
já não há volta
e nada será como antes
segredos revelados
intenções demonstradas
tudo é perfeito
tudo dá certo na hora certa
até o que tem de dar errado
dará errado na hora certa
A natureza se transforma
Tudo se encaixa
cedo ou tarde
um dia esse ciclo se completa
Explicar o inexplicável
Eu deixo pra Deus
Vou dando um passo de cada vez
quem sabe um dia eu acerto!
( Ulisses Tavares Neves )
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