quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O inquilino se torna prisioneiro
Quando a moradia impõe
O vínculo perpétuo
Aí se aprende a dar adeus
A quem passa
Bom dia
A mesma paisagem
Como forma conformada
De não mais lutar contra
Vencido pelo cansaço
Rotulado e envelhecido
Como o que é obrigado a parar
Porém, o saudosismo é epitáfio
Na lápide da própria memória desistente
E mesmo demente quero me lembrar...

"A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu carácter uma pureza inimaginável é nas primeiras 24 horas depois da sua morte. (Millôr)"

Passará o tempo, as águas
Pessoas com medo da chuva
Horas e horas extras
Vividas ou não
Cada qual com o seu valor
São pensamento livres
De um espirito encarcerado
Até que o dia seja o mais breve possível.

(Ulisses Tavares Neves)
Solidão a melhor companheira

Estranha percepção de silêncio
Em meio a tantas vozes
Desconhecidas sombras
Olhares perdidos e em profundidade
Conversas alheias  sem sentido algum
Não é necessário ter sentido
É quando se está ali
Calado em meio ao anonimato
E todos os segredos estão guardados
Como é bom ser um desconhecido
E poder analisar os riscos já vividos
Vão passando aviões
Ninguém percebe, estão ocupados demais
Agradeço por esse dia
Um bom dia de céu azul
Talvez fosse melhor uma xícara de café
Tudo na vida poderia ser mais fácil
Como a mudança do portão de embarque
Sem desculpas ou considerações
E pronto! Está mudado
Interessante é essa sensação
Estar em um lugar indo para outro
Uma referência à eterna viagem
Por esse local de passagem
Você e um pouco de sua bagagem
E todas as suas experiências
Somadas a um pouco de expectativa
Há um pouco de muitas histórias misturadas
Hora de partir
Que haja encontro
De preferência sem turbulências
E assim , riscar o céu mais um vez
Acompanhado da solidão
Aquela que estranhos experimentam
Complementando a timidez
E a indisposição para assuntos vagos
Olho a bagagem de mão
Analiso mais uma vez a saudade
Melhor assim
Há estranhos por todos os  lados
Às vezes a solidão é a melhor companhia
(Ulisses Tavares Neves)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Difícil falar da Caridade

Difícil falar de rosas
Sem ser folhetim
Da rosa flor
Da rosa cor
Atribuir essa ou aquela razão
Como se fosse preciso
Por si só um ser por inteiro
A alma tão doce
Que exala um cheiro
Vestida de vida
Simples, como tem que ser
O espírito tem cheiro de flores
D'essência da rosa furta a cor
Da flor que materializa as luzes
E que encanta sem o torpor
Cada uma quando colhida
Dá origem a uma dor
Toda dor requer cuidados
Não há cuidado sem amor
Amor no sentido mais amplo
Da humana fraternidade
A rosa é um agasalho
Às vezes, um pedaço de pão
Um sorriso, um abraço
Uma longa conversa
Só um pouco de atenção
Às vezes, pessoas são como rosas
Pra amenizar a dureza da realidade
Precisam de muitos cuidados
É difícil falar de rosas
É difícil falar de amor
Mais difícil é viver sem caridade


(Ulisses Tavares Neves)