domingo, 24 de outubro de 2010

A carreata

Ouvia o rádio do carro
e via o tempo passar
Uma carreata animada
Atrapalhava o trânsito
Acreditando mesmo
Que da política participava
Não tenho nada contra
Se realmente é por opção
ainda por desejo de representação
Mas, ver crianças penduradas
Nas carrocerias e janelas
Carros na contra mão
Motociclistas sem capacete
Motoristas com latas de cerveja...
Que decepção
Faltaria a praia, ou o carnaval?
Educação ou bom senso?
Será esse o bom cidadão?
Busquei no rádio,não achei
Nem acharia
Mas lembrei da música
A do Moraes Moreira:
“..Lá vem o Brasil
descendo a ladeira..!”.

Eh, juventude brasileira...
Ulisses Tavares Neves

sábado, 23 de outubro de 2010

Algo a dizer

Algo a dizer



Todos deveríamos ter
De segunda a segunda-feira
Uma conversa para compartilhar
Uma lição de vida
Um amor sem fim
Um pingo no i ou no j
Conselhos ou desculpas
Mas ficamos sós
Sós em nossos mundos
Mudos a sonhar
Com o que de melhor há
Para nós mesmos
Todavia , sempre e hoje decidiremos
Se temos algo a dizer
Ser capaz é um outro assunto
Mas,quem tiver certeza que o diga
O tempo passa
Enfraquecem-se as vozes
Viram ecos do passado
Quando se foi jovem
Quando se foi pobre
Quando se foi roubado
Quando se teve medo
Ou será que foi o amor?
A  energia se transforma
Nossas ações falam por nós
E tudo o que tenho a dizer:
Dai-me sempre forças pra falar!
Pois é mecânico o pensar e o agir.

Ulisses Tavares Neves.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O que os sinos tocam?




Tocarão os corações
Tal qual paredes a serem derrubadas
Barreiras entre todos nós
Mágoas que parecem incuráveis?
Mas espelhos trincados voltam a refletir
Um dia aprendemos:
Errar é humano!
Tempos depois compreendemos:
Perdoar é Divino!
Ninguém precisa fazer força
para magoar
para fazer chorar...
Tudo estava certo
Tudo em seu devido lugar
mas foi um "eu pensei"
ou um "alguém me contou"
E tudo mudou!
Inconsequências, descasos?
Ou deficiências, minhas, suas?
Nossas imperfeições
O que não se sabe
O que não se diz
O que não se faz
Também magoa!
Por isso, na dor
Não nasça a semente
Não se plante
Não se cale
Nem se encante
porque o fruto da mágoa é só desencanto
é pranto e outros sentimentos tantos,
qual somente dissabor
é contrariedade, frustração
Não quero em meu peito
nem o nó ou o preconceito
Livres passos nos espaços
vou prosseguir
Viajando de mundo em mundo
Torno-me mudo e me calo
Mas nem o peito
Nem a fala
Resistem ao perdoar
Como um sino a badalar
Ouça-os então
o ensinamento a ecoar
O eterno, o necessário
perdão...perdão....per....dão...
Humildemente
Sinos tocam assim
Pelo menos para mim


Ulisses Tavares Neves