quarta-feira, 22 de maio de 2013

Um Jogo de Tabuleiro

                                 
                               
                                         I

Um jogo de tabuleiro
Quem quer um mundo pequeno?
Miserável por fora
Exótico, excêntrico e milionário por dentro?
Seu interior egoístico
Um misto de felicidade repentina
Efêmera realidade volúvel
Concretamente solúvel
Transformando corações em pó
Mundo próspero de alguns
Sordidamente atualizado
Apenas no rolar dos dados
Seus senhores, permanecem olhando seus castelos
Esses reis e rainhas, melhor que fossem de baralho
Assim sendo, possível seria descartá-los
Na próxima jogada, dessa mesma rodada
Qualquer um faria.

                                      II
Novas velhas cidades reprojetadas
Mas, não acredito na paisagem futurística
Acredito no contraste abissal
Entre a miséria humana e as cifras
É apologia ao holocausto
É perpetuação doentia
Genocídio como forma de política
Quanto vale um grão, um punhado de arroz?
Uma gota, um pouco de água?
Talvez, valha uma vida
Aquela esquecida em uma aldeia moderna qualquer
Na estação urbana do lixo humano
Onde se redescobrem de forma singela
Um novo laboratório cultural, na vertente da reciclagem
Ou simplesmente - Favela!

                                     III

Na fronteira da tecnologia e da agonizante respiração
de quem tomba por falta de um farelo de pão
Antropologia antropocêntrica?
Nem sei se existe
Do centro de quem?
Não tem que diga
Do mundo de quem?
Não sei, mais uma vez
Da riqueza de quem?
Sinceramente, não sei
Da falência e da vergonha de todos nós
Cada dia uma moeda de troca
Prosperidade é verdade!
Todavia, a miséria e a exploração
não saem de moda.

                                          IV

Temos uma carta
Chamem um flautista!
Queremos que acabem com os ratos
Esses ratos com rostos e corpos humanizados
Que deveriam ser levados para fora da cidade
Mas eles tem mandato, imunidade e foro privilegiado
E por precaução, mandaram matar flautistas
E se apossaram das flautas mágicas também
Só gostaria de lembrar que sonhos nascem a cada dia
E quando amadurecem, quando chega a hora da colheita
O que se colhe é a realidade sonhada
E tenho boas notícias
Há tempos sonhamos com a igualde
Quem sabe chegou a hora da colheita?

( Ulisses Tavares Neves)




quinta-feira, 16 de maio de 2013

Se lembra aí?




Eu vou vivendo. Todo o dia, quando nasce o sol, já não se ocupa mais o mesmo espaço. Tudo é expansão e movimento. Silêncio, irmão! Ouça a batida do teu coração. É cadência, passo por passo, cruze as ruas da chamada violência. Da i m p a c i ê n c i a soletrada de cada dia, onde quem não sonha vira o passageiro da própria agonia. Então, sorria! Desça do ônibus, enxugue as lágrimas e se dê por satisfeito, é amigo! existe o perigo...abra seus olhos, feche os ouvidos,siga ouvindo a cadência, a batida vem do peito! É tipo bitbox, é samba, rock, tudojunto, reggae, hip-hop, o som é teu. Não tá ouvindo, amigo? Algo de errado não está certo! Apressa o passo, do contrário, você se perdeu! Se lembra aí? Já morreu...minha boca, sou eu.

( Ulisses Tavares Neves )

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Aprender





Um passo
Um descuido
Uma pedra
Uma queda
Uma ferida
Um estrago
Um disfarce
Uma desculpa
Um esconderijo
Uma prisão
Uma ilusão
Um engano
Um arrependimento
Um plano
Uma fuga
Um sim
Um não
Um talvez
Um despertar
Um compreender
Um aprender
Várias vidas