sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Somos Semente













Eu só queria uma chance
Poderia não vingar
Não sei o que seria de mim
Poderia não germinar
Talvez pudesse florescer
Se crescesse o bastante
Poderia fazer você olhar pro céu
Poderia fazer sombra
Mas não queria te assombrar
Gostaria de sair em uma foto
Como uma síntese sobre a natureza
A minha é te fazer respirar
Queria arejar o solo
Queria estar em um vaso
Ou no jardim pra ver você crescer
Mas já não sei se será possível
Porque não estou certo
Já não sei se eu e você vamos nascer
Se me plantasse seria colhida
Prometo ser a boa semente
Aquela da "boa nova"!
Poderia te fazer sorrir 
Te chamar de pai
Ou de mãe se essa fosse você
Se bem que não posso prometer
É facultado a ti o meu direito de nascer
Mas te peço que não me plante
Se não me tens como necessário
Pois que uma vez embrionário
Já sonhei em poder te ver
Não me lembrarei do seu rosto
Mas foi no calor do teu corpo
Que por instante sonhei em poder viver
Posso não compreender muita coisa
Em se tratando de dor
Sem escola me faço expert
Te amo sem você saber
Pois mesmo sem você querer
O meu maior prazer
Brevemente, de verdade
Foi estar dentro ou bem perto
Com a perspectiva de vida futura
Vivida num futuro incerto
Não tive nome, fui semente

Alguns me chamaram de feto. (Ulisses Tavares Neves)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Universo Simples

Quando quero escrever
Não tem hora nem lugar
Deixo tudo ir embora
Meio sem querer e devagar
Parece que some o teto
Que limita o pensamento
Talvez seja o estrondo ensurdecedor
Que uma menina me mostrou
Um sim que no espaço tem
A rainha bem que tentou
Um relógio projetou em uma torre
De quatro faces
Mas naquele som algo faltou
A explicação de um milagre
A quem chamamos criação
Em português, onomatopéia
Para o inglês, grande explosão
Ambos tem um som
Que fazem um "ben" danado
Ou seria um grande bem?
O big-ben
O tic-tac
Misterioso
Big bang

Ulisses Tavares Neves

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O inquilino se torna prisioneiro
Quando a moradia impõe
O vínculo perpétuo
Aí se aprende a dar adeus
A quem passa
Bom dia
A mesma paisagem
Como forma conformada
De não mais lutar contra
Vencido pelo cansaço
Rotulado e envelhecido
Como o que é obrigado a parar
Porém, o saudosismo é epitáfio
Na lápide da própria memória desistente
E mesmo demente quero me lembrar...

"A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu carácter uma pureza inimaginável é nas primeiras 24 horas depois da sua morte. (Millôr)"

Passará o tempo, as águas
Pessoas com medo da chuva
Horas e horas extras
Vividas ou não
Cada qual com o seu valor
São pensamento livres
De um espirito encarcerado
Até que o dia seja o mais breve possível.

(Ulisses Tavares Neves)
Solidão a melhor companheira

Estranha percepção de silêncio
Em meio a tantas vozes
Desconhecidas sombras
Olhares perdidos e em profundidade
Conversas alheias  sem sentido algum
Não é necessário ter sentido
É quando se está ali
Calado em meio ao anonimato
E todos os segredos estão guardados
Como é bom ser um desconhecido
E poder analisar os riscos já vividos
Vão passando aviões
Ninguém percebe, estão ocupados demais
Agradeço por esse dia
Um bom dia de céu azul
Talvez fosse melhor uma xícara de café
Tudo na vida poderia ser mais fácil
Como a mudança do portão de embarque
Sem desculpas ou considerações
E pronto! Está mudado
Interessante é essa sensação
Estar em um lugar indo para outro
Uma referência à eterna viagem
Por esse local de passagem
Você e um pouco de sua bagagem
E todas as suas experiências
Somadas a um pouco de expectativa
Há um pouco de muitas histórias misturadas
Hora de partir
Que haja encontro
De preferência sem turbulências
E assim , riscar o céu mais um vez
Acompanhado da solidão
Aquela que estranhos experimentam
Complementando a timidez
E a indisposição para assuntos vagos
Olho a bagagem de mão
Analiso mais uma vez a saudade
Melhor assim
Há estranhos por todos os  lados
Às vezes a solidão é a melhor companhia
(Ulisses Tavares Neves)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Difícil falar da Caridade

Difícil falar de rosas
Sem ser folhetim
Da rosa flor
Da rosa cor
Atribuir essa ou aquela razão
Como se fosse preciso
Por si só um ser por inteiro
A alma tão doce
Que exala um cheiro
Vestida de vida
Simples, como tem que ser
O espírito tem cheiro de flores
D'essência da rosa furta a cor
Da flor que materializa as luzes
E que encanta sem o torpor
Cada uma quando colhida
Dá origem a uma dor
Toda dor requer cuidados
Não há cuidado sem amor
Amor no sentido mais amplo
Da humana fraternidade
A rosa é um agasalho
Às vezes, um pedaço de pão
Um sorriso, um abraço
Uma longa conversa
Só um pouco de atenção
Às vezes, pessoas são como rosas
Pra amenizar a dureza da realidade
Precisam de muitos cuidados
É difícil falar de rosas
É difícil falar de amor
Mais difícil é viver sem caridade


(Ulisses Tavares Neves)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Debaixo do Céu

O céu é de cada um
Pelo menos um pedaço
Não é simples entendê-lo
O meu é o espaço
A qualquer hora está cheio de mundos
pra lá que levo meus ideais
Quem quiser, pode colocar uma cor
No próprio seu céu
Algo que voe ou brilhe
Algo que caia de lá
Qualquer sonho
Até dias e noites incontáveis
Um avião com uma faixa
Todos verão, outono ou não
Vozes vêm de lá e te dizem?
Tudo certo, ele é seu também
Céu e fuga e captura
É ponto de encontro
Para todos os olhares
Céu é pra onde se olha
Quando no abandono
E onde todos os seus donos
Gostariam de morar
Sendo assim, céu é condomínio
Com domínio sobre mim
Sobre todos os que debaixo dele estão
O que você vê quando olha para o céu?
Não, não responda!
Guarde o céu que você vê
Esse é o segredo
É a sua realidade

(Ulisses Tavares Neves)


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Enquanto Houver Barreiras.





Aparecerão barreiras
Nossos limitadores e fonte de muitas descobertas
Abismos desesperadores ocasionais
Procuro buscar comparações
O espaço é o que vem de imediato
E minhas capacidades o parâmetro seguinte
Conclui-se, intransponíveis
Mas a pior de todas são as que criamos
Estas são imposições inconsequentes
E no meio do tempo, das manias e da soberba
Talvez haja no espaço um lugar para o aprendizado
E para a descoberta que nos liberte
Chave para a transposição
Ou a queda dos limites
Sonho  com um salto quântico
um vórtice, também
Um medicamento seria bom
Uma máquina seria necessária, às vezes
Que transportasse o impossível
de forma simples e explicável
E bem ao meu alcance 
Então, dentro das possibilidades 
Não consigo achar outro nome ou objeto
A maior energia que posso concentrar
Juntando tudo o que de melhor me resta
Posso dizer, sem vacilar 
Resume-se na fé a melhor explicação
Esta noite, sigo aguardando
Um dia será - quando.

(Ulisses Tavares Neves) 



quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Navios Negreiros

Quem  queria estar na pele
dessa figura que sorri de euforia
Orgulhosa de sua etnia
E dorme feliz com o seu defeito
sem ter a noção do que é
assim como a sua grotesca ideologia
Mascara-se e satisfeito se glorifica
De repente percebe-se
Apenas medíocre, criatura ridícula
Mas, como disse o Mestre - Ofereça sempre a outra face
De preferência com a serenidade de um sorriso
E se é pra isso que se preste a pobre peste
A vida se repete até o momento em que o papel se inverte
Não perca seu tempo, ele é precioso demais
Não odeie , nem adoeça de amargura
Mesmo que não haja espelhos
O peso dessa ação não combina com joelhos
A eternidade age com o amor e com o relho
No mérito de cada um
Brilha sempre uma luz pra quem afaga
e ecoa pra sempre esse rugido macabro ao ser bizarro
Quem nunca reparou nas lições da vida?
Na volta da maré nem a terra fica
e quando o mar se agita,
 a ressaca é quem castiga
Naturalmente a paisagem se modifica
E mesmo quem navegue com habilidade
O naufrágio é sempre uma possibilidade
Aos novos navios negreiros


(Ulisses Tavares Neves)


domingo, 18 de maio de 2014

Nota de Rodapé
















Mais uma vez essa sensação
Que nos transporta e traz de volta
apaga momentaneamente da atualidade
Sempre sinto saudade
E vejo coisas aqui e ali
Às vezes toma ares de crueldade
Queremos reviver, mas não se pode
O que foi marcado no tempo
Não tem caminho de volta
Vira nota de rodapé ou placa de comemoração
Quem sabe jaz em uma sombra
A oportunidade sorri pra quem a pegou e foi feliz
Se bem que tristeza também faz parte
É um tempero para sobriedade
Não é em vão, nem ilusão
Pra quem viveu, é verdade
Se estivéssemos em um mirante
No futuro, por um breve instante
As luzes de fundo, os sons pelo ar, os pares de olhos
Também os sorrisos e os brindes à vida
A lágrima sem dor, o sonho bom
A ceia de Natal ou o churrasco no quintal
Tudo o que servisse para compor a paisagem
Seria resumida por uma palavra
Saudade
Mais uma vez sentida
Não há outra
É saudade.

( Ulisses Tavares Neves )

Nota de rodapé: Saudade é o sentimento de quem viveu, amou e nunca perdeu o propósito de viver na prática do bem.





terça-feira, 3 de dezembro de 2013