Quem queria estar na pele
dessa figura que sorri de euforia
Orgulhosa de sua etnia
E dorme feliz com o seu defeito
sem ter a noção do que é
assim como a sua grotesca ideologia
Mascara-se e satisfeito se glorifica
De repente percebe-se
Apenas medíocre, criatura ridícula
Mas, como disse o Mestre - Ofereça sempre a outra face
De preferência com a serenidade de um sorriso
E se é pra isso que se preste a pobre peste
A vida se repete até o momento em que o papel se inverte
Não perca seu tempo, ele é precioso demais
Não odeie , nem adoeça de amargura
Mesmo que não haja espelhos
O peso dessa ação não combina com joelhos
A eternidade age com o amor e com o relho
No mérito de cada um
Brilha sempre uma luz pra quem afaga
e ecoa pra sempre esse rugido macabro ao ser bizarro
Quem nunca reparou nas lições da vida?
Na volta da maré nem a terra fica
e quando o mar se agita,
a ressaca é quem castiga
Naturalmente a paisagem se modifica
E mesmo quem navegue com habilidade
O naufrágio é sempre uma possibilidade
Aos novos navios negreiros
(Ulisses Tavares Neves)
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