sexta-feira, 30 de novembro de 2012
A dose e a dúzia
A medida certa
Não tem receita
Pode a dose ser muita
e a dúzia não ser demais
Quando faltar
eu vou lembrar
Não dou importância
Até que se vá
até que termine
Uma dose ou uma dúzia?
Sentirei a mesma falta
Hoje são só coisas que não valorizo
depois percebo que preciso
Não dei conta do que já fiz
E senti falta do meu passado
Quando a saudade era resolvida
Apenas em um olhar pro lado
Dose de saudosismo
Dúzias e dúzias de quilômetros
palavras que eu não disse
Alguém que já não pode ouvi-las
sinônimo de abandono
Tudo na medida
Uma dose de hora certa
Uma dúzia de oportunidades
A coisa certa é muito discreta
Serve-se de pequenas doses
mantem-se guardada às dúzias
Até que, sem querer, some
da mesma forma que desperta
disponibilidade, presença e lembrança
coisas que satisfazem
E "o não ter" é perceber
A falta que alguém te faz
Um copo e um calibre?
Uma dose e uma dúzia...
Uma mente inquieta
Enfim, hoje posso dizer
Pra se viver não precisam motivos
Ter sempre um amor ou um apego
Um lugar pra onde ir
Nem que seja o seu emprego
Uma palavra, mais uma noite, um pai
Uma flor, uma mãe, outras manhãs
uma dose ou uma duzia?
qual é a medida certa?
Tanto faz, quando ambas forem daquilo
que de alguma forma te trazem paz
Mas não confunda com vícios
aí tanto a dose quanto a dúzia
ambas já seriam demais
( Ulisses Tavares Neves )
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