domingo, 9 de novembro de 2008

Ruas sem infância

Ruas sem infância

A felicidade é frágil
Como o espelho das águas
Sem perceber ela evapora
Sem querer vira saudade
Estava assim e logo sumia
Na ingenuidade roubada
Em público e de dia
No desejo de ser notado
No meio da rua
Mas ninguém veria
Não há beleza na fome
E na pobreza não há poesia
O cântico de sofrimento
É o gemido do descaso
O nosso atraso me apavora
Por isso eu reflito
Como pode perdurar
Algum sorriso?
Por isso eu afirmo
Anjos devem ser recrutados em vida
Não nas esquemias
Nas agonias da vida
E pelo que sei
Não tem sexo também
Não são meninos
Não são meninas
Posso ir até o fim
Mas a vida tem suas esquinas
E é ali que deixo a possibilidade
De manter comigo
A alegria ou a falsa euforia
Não condeno ninguém
Que assim seja
Quem puder conviva
A felicidade que eu quero
Não é essa hipocrisia
Crianças abandonadas
Futuro condenado
se é que haverá algum
Meninos e meninos de rua?
E as ruas sem infância.


Ulisses Tavares Neves

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