Mundo virtual.
Procurei um assento
À sombra de um jatobá
Uma paisagem bucólica
Com tempo para observar
Mas encontrei um mar de prédios
Com ondas irradiadas das torres
Sombras de parabólicas.
De bucólico só a promessa
Um condomínio com bosques
Pensei que pudesse estar sonhando
Com um tempo onde escrever
Era mais fácil diante do silêncio
No turbilhão metafórico
Vi as luzes do metrô que passava
E o tempo me trouxe de volta
Subi as escadas rolantes
E encontrei artesãos como camelôs
Vi piratas tão modernos
Com toda tecnologia roubada
Mas as benesses de suas distribuições
Tesouros quase gratuitos
Justificavam aquelas ações
Incluíam os excluídos
sem pedir permissão
Da geração que lia livros
Herdamos favelas e poluição
Da digitalização da cultura
E dos seus seguidores
Herdaremos o quê?
A realidade agora está no mundo virtual.

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