I
Tudo era desertoprecisa-se de água
o solo sanado
solucionado
soluço ou nado
nado
há água pra todo lado
Dilúvio
Navego e me embriago
Tudo tornou-se noite
precisa-se de luz
Tudo diluído
Já não vejo nem o que trago
Só vejo o perigo
Um século de luzes
é o que preciso
neste barco
Só me resta a fé
E a nossa amizade
iluminando tudo por onde passa
II
E agora?
Agora temos fome
Um labirinto truncado
Capaz de criar a guerra
Indo um pra cada lado
Uns se armarão com espadas
Outros tomarão o arado
criando tribos
trilhas para emboscadas
Ficamos por esse caminho
Nos perdemos, como pode?
Se estamos na mesma estrada?
A causa foi o consumo
Ou como ou sumo
Sumo
III
A maior causa do abandono
Pois já não te conheço
Não me reconheço
Te desconheço
Inimizade
são certas necessidades
A pura indiferença
A materialidade
O conforto é seu disfarce!
O confronto não é arte
Confronto é morte
Encontramos conforto na morte
Já não há solução
É...guerra.
O que nos resta?
IV
Não é ironia
A paz sempre esteve por aí
mas de nada adianta
ela precisa reinar em mim
tomar você
Nos envolver
a paz é um querer difícil
Já precisamos de água
Findou-se o deserto
Já precisamos de luz
Foi o fim da escuridão
Mas a fome, o consumo
A riqueza material como valor
Torna os seres desumanos
justifica os enganos
só consigo lembrar da cena
De um homem dividindo o pão
E foi lá, em meio ao deserto
da fome, do dilúvio e da escuridão
Lá onde tudo começou
Precisamos de paz
e agora?
( Ulisses Tavares Neves )

Um comentário:
Como ou sumo?
Sumo!
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