domingo, 29 de julho de 2012

Inimizade, um deserto!




I
Tudo era deserto
precisa-se de água
o solo sanado
solucionado
soluço ou nado
nado
há água pra todo lado
Dilúvio
Navego e me embriago
Tudo tornou-se noite
precisa-se de luz
Tudo diluído
Já não vejo nem o que trago
Só vejo o perigo
Um século de luzes
é o que preciso
neste barco
Só me resta a fé
E a nossa amizade
iluminando tudo por onde passa

II

E agora?
Agora temos fome
Um labirinto truncado
Capaz de criar a guerra
Indo um pra cada lado
Uns se armarão com espadas
Outros tomarão o arado
criando tribos
trilhas para emboscadas
Ficamos por esse caminho
Nos perdemos, como pode?
Se estamos na mesma estrada?
A causa foi o consumo
Ou como ou sumo
Sumo

III

A maior causa do abandono
Pois já não te conheço
Não me reconheço
Te desconheço
Inimizade
são certas necessidades
A pura indiferença
A materialidade
O conforto é seu disfarce!
O confronto não é arte
Confronto é morte
Encontramos conforto na morte
Já não há solução
É...guerra.
O que nos resta?

IV

Não é ironia
A paz sempre esteve por aí
mas de nada adianta
ela precisa reinar em mim
tomar você
Nos envolver
a paz é um querer difícil
Já precisamos de água
Findou-se o deserto
Já precisamos de luz
Foi o fim da escuridão
Mas a fome, o consumo
A riqueza material como valor
Torna os seres desumanos
justifica os enganos
só consigo lembrar da cena
De um homem dividindo o pão
E foi lá, em meio ao deserto
da fome, do dilúvio e da escuridão
Lá onde tudo começou
Precisamos de paz
e agora?

( Ulisses Tavares Neves )





Um comentário:

Cap FÁBIO disse...

Como ou sumo?
Sumo!