sábado, 18 de agosto de 2012

Todo o exagero é injusto.

   De repente, me dei conta, A rebeldia está de volta! E vem da Rússia! Um grupo musical invade a principal igreja de Moscou para protestar contra a aproximação do Estado à Igreja Ortodoxa. Assim foi noticiado na mídia ocidental, a imagem mostrava mulheres encapuzadas, cantando e dançando, estavam próximas ao altar da Catedral de Cristo Salvador. Particularmente e imediatamente, fiz a associação da imagem aos terroristas de Munique, em 1972, dada a semelhança de suas máscaras, mas tirando as máscaras os ideais são imensamente diferentes.    
   O fato descrito rendeu a prisão das manifestantes, um processo de julgamento rápido, marcado pela imagem das três jovens artistas confinadas em uma espécie de prisão de vidro, aguardando uma sentença que durou três horas para ser proferida .
    Aqui no Ocidente, a imagem das 3 (três) mulheres presas é a mais pura tradução da rebeldia em seu sentido mais romântico. Sim, senhoras e senhores, jovens, música, protesto, Rock, afronta, regras quebradas e uma causa pela qual se manifestar. Sem falar de um ingrediente que sempre maximiza as discussões quando se faz presente - A mulher! 
     A História está repleta de exemplos, quer seja pela ação direta de uma mulher, como os feitos de Joana D'Arc quer seja de forma indireta como Helena de Troia, cuja beleza, segundo Homero, foi capaz de provocar uma guerra. Neste caso, podemos dizer que apesar de aviltarem uma religião e seus símbolos, apesar de toda a aparente insensatez do ato, aos olhos ocidentais, mulheres russas presas por manifestação política, são candidatas a heroínas, dignas das telas de cinema e com recorde de bilheteria.
      Romantismos à parte, há muito para se refletir nesse evento. De imediato, a imprensa ocidental frisou a preocupação com os direitos humanos, e os rumos da política adotada pelo Presidente Vladimir Putin, como tudo isso pode vir a refletir no ano que vem, nas eleições presidenciais; por outro lado, parece mesmo, que há uma interferência do poder instituído nos rumos do julgamento das jovens, uma sentença que tende ao exagero e que aponta, de imediato, para a instauração da insegurança jurídica, para a quebra do princípio democrático da tripartição dos poderes, e consequentemente, para a maculação da verdadeira democracia.
        Obviamente, que a opinião a ser considerada deve ser a do povo Russo, são eles quem devem julgar os atos da autoridade estatal, da igreja, da participação do poder legislativo e do judiciário ante ao evento. Tenho certeza de que, neste exato momento, toda a população da Rússia deve estar envolvida no assunto, afinal essa é a característica daquele povo. Se estou certo, mudanças já podem ser vistas em um horizonte próximo. Mas que fique claro! O incidente está longe de ser um ato de terror, como o de Munique, em 1972, não merece tanta severidade, o exagero sempre será injusto. 
         Não podemos tirar conclusões ocidentalistas, as peculiaridades dos regimes e das sociedades orientais não nos permitem. A realidade, mais uma vez, comprova que o Oriente é muito mais intolerante que o Ocidente. Para mim, o que realmente fica é a certeza de que o vento forte chamado liberdade nunca se cala! Já foram gritos, tambores, clarins e, hoje, as cortinas se abriram para uma Banda de Punk Rock. Senhoras e senhores, com vocês, entrando para a História : Pussy Riots!

( Ulisses Tavares Neves )
 

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